ACOMPANHAMOS UM ENSAIO DE GUARDA-CORPO

Aproveitamos para desmitificar algumas questões que envolvem esse produto

Esta reportagem da revista Tecnologia & Vidro acompanhou o ensaio de um modelo de guarda-corpo criado pela fabricante Funisa especialmente para um shopping center paulistano. O conjunto era dotado de torres de aço inox, com alma e parafusos, e por vidros laminados de temperados na espessura de 6 mm + 6 mm.
Os testes foram realizados na sede da Funisa (na região do Grande ABC) pela equipe do Instituto Falcão Bauer da Qualidade, e levaram um dia inteiro entre montagens e aplicação dos esforços. Os técnicos se  basearam na norma de Guarda-Corpos (ABNT NBR 14.718, criada em 2001, revisada em 2008 e cujo segundo projeto de revisão deverá ser submetido em setembro à apreciação da ABNT para posterior consulta nacional.

“Consulta nacional da revisão da norma de Guarda-Corpos deverá ser realizada em setembro”

LAMINADOS DE TEMPERADOS 6 MM + 6 MM

É largamente divulgado no setor vidreiro que os guarda-corpos de vidros que possuem sustentação por furações e vidros laminados de temperados precisam ter espessura mínima de 8 mm + 8 mm. Os técnicos do ramo de vidros se baseiam na norma de vidros temperados, que especificam a espessura mínima de 8 mm para que possam ser sustentados por ferragens de aperto.

“Todo o conjunto do guarda-corpo precisa resistir aos testes de acordo com a finalidade a que se destina”

“Não tem lugar nenhum na norma de Guarda Corpos que determine que o vidro laminado de temperados tenha de ser 8 mm + 8 mm”

Segundo a engenheira Fabiola Rago Beltrame, coordenadora da Comissão de Estudos Especiais de Esquadrias (ABNT/CEE-191), que está revisando a norma de guarda-corpos, o documento não determina qual deva ser a espessura. A engenheira explica: “A 14.718 determina que nos guarda-corpos sejam utilizados vidros laminados ou aramados ou laminados de temperados. Diz também que todo o conjunto precisa resistir aos testes de acordo com a finalidade a que se destina. Então, no caso do guarda-corpo ensaiado, que passou no teste, ele está dentro das normas (conforme).
A engenheira argumenta, entretanto, que isso não significa que todo guarda-corpo dotado de vidros 6 mm + 6 mm esteja em conformidade com a norma. “Um conjunto é composto de vários itens, incluindo a fixação na estrutura, os componentes que formam o guarda-corpo e a maneira como o vidro é preso a esses componentes. Somente com o ensaio do conjunto é possível dizer se o guarda-corpo está conforme; não depende apenas da espessura do vidro”, explica.

INFORMAÇÃO CONFIRMADA

Para confirmar tal informação,  consultamos também os consultores da empresa especializada em vidros e esquadrias Paulo Duarte Consultores. Segundo os consultores da empresa – Tatiana Domingues, especializada na parte de vidros; e Anderson Bueno, especializado na parte de esquadrias –, a norma não estipula espessura mínima para elementos autoportantes, mas orienta em relação às cargas segundo o tipo de uso. “Dependendo do local da aplicação (uso coletivo ou privado), o tamanho da placa e tipo de fixação, distância entre os furos, a espessura para guarda-corpos de laminado de temperados pode, sim, ser menor que 8 mm + 8 mm”.
Perguntados se o que vale é o resultado do ensaio e não a espessura, os consultores responderam: “Em nenhum item na norma fixa-se a espessura mínima para o conjunto; e, sim, parâmetros de desempenho. Portanto, sim, são necessários sempre testes para aferir que o sistema atende às cargas previstas”.

Cargas são aplicadas de forma horizontal e vertical ao conjunto

“Ensaio de laboratório, acompanhado pela reportagem, avaliou os esforços estático vertical e estático horizontal. Por fim, o de impacto.”

ENSAIO

O ensaio de laboratório, acompanhado pela reportagem, avaliou os esforços estático vertical e estático horizontal, e de impacto, com a aplicação de carga de impacto por metro linear de guarda-corpo, englobando pré-carga, carga de uso e carga de segurança. “A carga de segurança é sempre de 1,7 vez a carga de uso. Mesmo que o guarda-corpo seja danificado, não pode permitir que  uma pessoa caia”, explica Fabiola.
No ensaio de impacto foram aplicados 600 joules, permitindo a deformação do guarda-corpo e a quebra do vidro laminado. Porém, um prisma de 25 cm x 11 cm não poderia passar, nem pelos orifícios do vidro nem pela deformação do guarda-corpo. Ou seja, o “corpo” está sendo preservado.
É preciso destacar, entretanto, que o ensaio foi realizado com cargas que tentam simular a utilização dentro de um shopping center.

Caso fosse para uma cobertura ou varanda externa, as cargas aplicadas deveriam prever a situação da carga de vento. E, de acordo com a altura, Tatiana e Anderson destacam: “Um kit ensaiado para determinado andar deve ter a informação correta para qual a pressão máxima foi dimensionado, pois assim é possível saber corretamente sua aplicabilidade em qualquer edificação do País”.
Veja outras questões que envolvem questões técnicas de guarda-corpos, normas e de fechamento de sacadas em outras reportagens nesta mesma edição. T&V

“Cargas de esforços horizontais são aplicadas de fora para dentro e de dentro para fora”

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