PVB, EVA e SGP: o que realmente muda no desempenho do vidro laminado?

26 de outubro de 2026

Embora cumpram a mesma função básica, os três tipos de interlayers apresentam diferenças de composição química, propriedades mecânicas e processos produtivos que influenciam suas aplicações na construção civil.

A produção de vidros laminados utiliza materiais poliméricos conhecidos como intercaladores ou interlayers, responsáveis por unir duas ou mais chapas de vidro e manter os fragmentos aderidos em caso de quebra. Entre as principais tecnologias utilizadas pelo setor vidreiro estão o PVB, o EVA e os interlayers ionoplásticos, frequentemente chamados de SGP.

Embora tenham a mesma função fundamental, esses materiais apresentam diferenças importantes de composição química, comportamento mecânico, resistência à umidade e processos de fabricação.

A escolha do interlayer influencia não apenas o desempenho final do vidro laminado, mas também a produtividade da indústria, a possibilidade de fabricar peças personalizadas e os custos envolvidos no processamento.

PVB: o interlayer tradicional da indústria vidreira

O PVB, sigla de Polivinil Butiral, é utilizado na fabricação de vidros laminados há aproximadamente 90 anos. Sua aplicação industrial ganhou importância no final da década de 1930, inicialmente na produção de para-brisas de automóveis, substituindo materiais anteriores utilizados na laminação.

Posteriormente, seu uso se expandiu para a construção civil, tornando-se uma das principais tecnologias empregadas na fabricação de vidros laminados de segurança.

O PVB apresenta excelente transparência, boa adesão ao vidro e capacidade de manter os fragmentos unidos após a quebra. Também pode receber formulações específicas para controle acústico, proteção contra radiação ultravioleta e diferentes efeitos estéticos.

Uma de suas características que exigem atenção é a sensibilidade à umidade, especialmente nas bordas expostas e em condições inadequadas de fabricação ou instalação. A exposição excessiva pode comprometer a aderência e favorecer manifestações de delaminação.

Como funciona a produção de vidros laminados com PVB?

A produção industrial tradicional de vidros laminados com PVB utiliza linhas automatizadas de alta produtividade, compostas por equipamentos de lavagem, montagem, pré-laminação e processamento em autoclave.

Após a montagem das chapas com o interlayer, o conjunto passa por um processo de pré-laminação destinado à retirada do ar existente entre as camadas. Em seguida, é submetido a temperatura e pressão controladas na autoclave, consolidando a união dos materiais.

Essas linhas industriais são especialmente eficientes na fabricação seriada de grandes chapas, frequentemente destinadas a uma etapa posterior de corte nas dimensões solicitadas pelos clientes.

Essa característica proporciona ganhos de escala e produtividade. Por outro lado, quando a indústria trabalha com grandes chapas destinadas ao corte posterior, o sistema oferece menor flexibilidade para a produção de peças personalizadas ou diretamente nas medidas finais de utilização.

Isso não significa que seja impossível produzir vidros laminados com PVB sob medida, mas que a organização da linha produtiva tradicional tende a privilegiar grandes volumes e formatos padronizados.

Embora existam equipamentos que permitem laminar PVB sem a utilização de uma autoclave convencional, essa possibilidade decorre da tecnologia de processamento empregada. São sistemas especiais que integram recursos de aquecimento e pressão, não uma propriedade que dispense esses requisitos simplesmente pela escolha de determinado PVB.

EVA: flexibilidade para produzir vidros laminados personalizados

O EVA, sigla de Etileno-Acetato de Vinila, é outro polímero utilizado como interlayer na produção de vidros laminados.

Sua utilização ganhou espaço especialmente entre empresas interessadas em produzir laminados em menor escala, peças personalizadas e produtos decorativos, embora também existam aplicações arquitetônicas que exigem desempenho técnico específico.

Uma das principais diferenças em relação ao PVB está no processo de fabricação.

Como funciona a laminação de vidros com EVA?

A produção de vidros laminados com EVA geralmente utiliza fornos equipados com sistemas de vácuo. As chapas de vidro são montadas com o interlayer e introduzidas em bolsas ou sistemas apropriados para a retirada do ar, sendo posteriormente submetidas a ciclos controlados de aquecimento.

Dependendo da formulação, o processo promove a reticulação do polímero, contribuindo para a adesão e a estabilidade do conjunto.

Essas linhas costumam apresentar produtividade inferior à das grandes linhas industriais de PVB. Algumas instalações operam com processos semiautomatizados ou até predominantemente artesanais.

Em contrapartida, oferecem uma vantagem importante: a possibilidade de produzir vidros laminados personalizados, em pequenos lotes ou diretamente nas dimensões finais de utilização.

Isso permite atender pedidos específicos sem a necessidade de fabricar inicialmente grandes chapas para posterior corte.

Outra característica é a versatilidade na incorporação de elementos decorativos, como tecidos e determinados materiais compatíveis, ampliando as possibilidades de utilização do vidro laminado em projetos de arquitetura e interiores.

O EVA pode ser utilizado em aplicações externas?

Embora seja frequentemente associado aos vidros decorativos, o EVA não se limita às aplicações internas.

Existem formulações desenvolvidas para aplicações arquitetônicas externas, incluindo situações nas quais o laminado fica exposto à umidade e às variações climáticas.

De maneira geral, o EVA apresenta boa resistência à umidade, mas essa propriedade não deve ser interpretada como garantia de que todos os produtos ofereçam o mesmo desempenho.

A escolha deve considerar as características da formulação, as recomendações do fabricante e os ensaios exigidos para a aplicação pretendida.

O mesmo cuidado vale para a resistência mecânica e o comportamento após a quebra: o desempenho depende das características do interlayer e da composição completa do vidro laminado.

SGP: interlayers de alta rigidez para aplicações estruturais

O nome SGP tem origem na expressão SentryGlas Plus, utilizada originalmente para identificar um interlayer ionoplástico desenvolvido pela DuPont e lançado comercialmente em 1998.

Essa tecnologia representou um avanço importante na produção de vidros laminados destinados a aplicações que exigem maior rigidez e capacidade de transferência de esforços entre as chapas.

Posteriormente, a tecnologia SentryGlas passou a integrar o portfólio da Kuraray, que atualmente comercializa o produto sob a marca SentryGlas.

O SentryGlas é uma das referências internacionais mais conhecidas nessa categoria. Entretanto, existem outros fabricantes que comercializam interlayers ionoplásticos de alta rigidez, frequentemente identificados no mercado pela sigla SGP.

É importante observar que essa denominação comercial utilizada genericamente pelo mercado não significa que todos os produtos apresentem propriedades equivalentes.

A própria Kuraray esclarece que a identificação oficial de seu produto é SG, reservando SGX para a versão SentryGlas Xtra.

Quais são as principais diferenças do SGP?

Os interlayers ionoplásticos de alta rigidez apresentam comportamento mecânico diferente daquele observado nos interlayers convencionais de PVB.

Sua principal característica é a capacidade de proporcionar maior interação estrutural entre as chapas de vidro, contribuindo para que o conjunto trabalhe de maneira mais integrada quando submetido a determinados esforços.

Isso pode favorecer o desempenho de peças sujeitas a cargas elevadas ou que exigem maior controle de deformações.

Outra característica importante é o potencial de resistência residual após a quebra, aspecto especialmente relevante em aplicações nas quais a perda da integridade do vidro pode provocar riscos adicionais.

Entre suas aplicações estão guarda-corpos, pisos de vidro, coberturas, fachadas especiais e outros elementos de envidraçamento estrutural.

A escolha do produto, entretanto, deve considerar os dados técnicos específicos de cada fabricante, incluindo rigidez, temperatura de utilização, duração dos carregamentos e desempenho após a ruptura.

O vidro laminado com SGP é mais seguro?

A utilização de um interlayer ionoplástico de alta rigidez pode contribuir para melhorar o comportamento estrutural do laminado, mas não significa que o vidro se torne inquebrável ou que qualquer composição apresente automaticamente maior segurança.

É necessário diferenciar duas propriedades: a capacidade de manter os fragmentos aderidos após a quebra e a capacidade de continuar suportando esforços quando uma ou mais chapas se rompem.

A segunda condição é conhecida como resistência residual pós-quebra e assume grande importância em aplicações como guarda-corpos, pisos e coberturas.

Embora os interlayers ionoplásticos possam proporcionar vantagens relevantes nesse aspecto, o comportamento final depende da composição do laminado, das dimensões das peças, das condições de apoio e das solicitações mecânicas previstas.

O dimensionamento estrutural e a avaliação da segurança não podem, portanto, ser definidos exclusivamente pelo tipo de interlayer.

PVB, EVA ou SGP: qual interlayer escolher?

Não existe uma resposta única para essa pergunta.

O PVB continua sendo uma tecnologia consolidada, particularmente adequada à produção industrial de grande escala, com elevada produtividade e ampla diversidade de aplicações.

O EVA oferece versatilidade produtiva, especialmente para indústrias que trabalham com pequenos lotes, produtos personalizados e vidros fabricados diretamente nas dimensões finais de utilização.

Já os interlayers ionoplásticos de alta rigidez, conhecidos comercialmente como SGP, apresentam características especialmente relevantes para aplicações nas quais o desempenho estrutural assume maior importância.

Entretanto, a escolha não deve considerar apenas produtividade, custo ou rigidez. É necessário avaliar fatores como exposição à umidade, resistência mecânica, comportamento após a quebra, requisitos acústicos, condições de instalação e normas técnicas aplicáveis.

Também é fundamental considerar a qualidade do processamento. Deficiências na limpeza das chapas, retirada do ar, controle de temperatura, pressão ou aplicação dos ciclos recomendados podem comprometer o desempenho do laminado, independentemente da tecnologia utilizada.

Por isso, mais importante do que estabelecer uma classificação de superioridade entre PVB, EVA e SGP é compreender as características de cada material e especificar aquele que apresenta as propriedades necessárias para a aplicação prevista.

A segurança e o desempenho de um vidro laminado resultam da combinação entre o interlayer, as características das chapas de vidro, a qualidade da fabricação e o correto dimensionamento do conjunto.

Elmo Pires

Jornalista — MTB 20.174
Especializado no setor de vidros e alumínios, no qual atua continuamente desde 1996.

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